Embora o Saara seja conhecido como o maior deserto do mundo atualmente, ele era, na verdade, uma terra fértil e verdejante há apenas alguns milhares de anos.
Veja em vídeo:
Provas de que o Saara já foi verde
Há algumas evidências que mostram que o Saara era verde no passado. Foram descoberto Petróglifos (Esculturas Rupestres), em 1850, pelo explorador alemão Heinrich Barth. Elas representavam animais como girafas, hipopótamos e crocodilos. Para viverem, esses animais precisam de pastagens e poços de água. Portanto, o Saara naquela época não poderia ser um deserto, tinha que ser um ambiente verde.
Outra evidência pode ser encontrada com a análise da poeira. O Dr. David McGee, do MIT, analisou camadas de poeira acumuladas no oeste da África. Ele descobriu que, entre 12.000 e 5.000 anos atrás, os níveis de poeira eram extremamente baixos. Isso significa que o Saara era úmido e a vegetação crescia, então menos areia era lançada para formar tempestades de poeira. As camadas continham até pólen de plantas que não crescem em desertos.
Também existem evidências linguísticas. No Mali, na África Ocidental, e na Etiópia, na África Oriental, falam-se línguas completamente diferentes. Mas palavras específicas, como o nome dado aos hipopótamos, são assustadoramente semelhantes entre si. Alguns linguistas acreditam que isso sugere que os ancestrais que deram nome aos hipopótamos viveram juntos antes que a desertificação os separasse do leste para o oeste.
Por fim, restos biológicos do Saara também comprovam que o Saara já foi verde. No deserto de Ténéré, no sul do Saara, foram encontrados restos de crocodilos, hipopótamos e enormes peixes do Nilo. Além de anzóis e ferramentas de caça, isso demonstra que as pessoas viviam da terra, pescando e caçando naquela época. Por exemplo, em 2006, pesquisadores encontraram 500 novas datações por radiocarbono de restos humanos e animais em mais de 150 sítios de escavação no Saara para comprovar isso.
A partir dessas evidências, podemos ver que o Saara foi uma terra verdejante por cerca de 10.000 anos, de 12.000 a 5.000 anos atrás. Mas e o que aconteceu para torná-lo o maior deserto do mundo?
Cientistas acreditam que a transformação periódica da região do Saara está relacionada a um fenômeno único chamado ciclos climáticos do norte da África. À medida que a Terra gira em torno do Sol, a intensidade das monções do norte da África muda devido a mudanças na insolação; ou seja, a quantidade de radiação solar recebida em uma determinada superfície em um determinado período. Quando a monção está em seu ponto mais fraco, a precipitação anual diminui, dando origem ao que é chamado de “Saara seco”. Por outro lado, quando a monção está em seu ponto mais forte, a precipitação anual aumenta significativamente e o “Saara verde” é formado.
Esse fenômeno ocorreu há cerca de 10.500 anos, quando a terra antes desidratada se transformou em uma savana habitável. Estima-se que os ciclos climáticos do Norte da África se repitam a cada 20.000 anos, causando uma transformação periódica do “Saara verde” para o “Saara desértico”. De fato, um estudo de 2015 publicado na revista Nature Communications revelou que os períodos do Saara verde, apelidados de “períodos úmidos africanos”, estimularam a formação de um antigo sistema fluvial que, se existisse hoje, seria considerado a 12ª maior bacia hidrográfica do mundo.
Utilizando imagens de satélite de radar orbital, Charlotte Skonieczny, do Instituto Francês de Pesquisa para a Exploração do Mar, e seus colegas descobriram provas da existência de uma rede de paleodrenagem enterrada de 500 km de extensão na costa da Mauritânia. Além disso, eles descobriram que um importante sistema fluvial provavelmente foi reativado durante alguns dos períodos úmidos dos últimos 245.000 anos.
A volta ao deserto
Embora grande parte das flutuações climáticas possa ser explicada pelo ciclo de insolação mencionado, ainda há alguma obscuridade em torno do fenômeno. A transição mais recente do Saara verde para o Saara seco, entre 8.000 e 4.500 anos atrás, ocorreu de forma bastante abrupta e, portanto, não seguiu o padrão esperado. Em 2017, David Wright, arqueólogo ambiental da Universidade Nacional de Seul, na capital da Coreia do Sul, teorizou que os humanos foram responsáveis pelo rápido término do último Período Úmido Africano. Em seu estudo, Wright atribuiu a rápida desertificação do Saara à pastorícia (que é a ação de pastorear), entre outros fatores.
Com base em exemplos de casos em que a introdução de gado domesticado desnudou terras anteriormente não cultivadas, Wright sugeriu que a criação de gado por populações africanas do Neolítico catalisou a formação mais recente do Saara seco. Embora os ciclos de isolamento da Terra tenham desempenhado um papel, ele argumentou que tais ações humanas induziram a superação de pontos de inflexão ecológicos, alterando assim o clima local.
Em uma entrevista à Popular Science, Wright explicou que, diferentemente dos animais selvagens que habitam os desertos, o gado, cabras, ovelhas, vacas e assim por diante, passa muito tempo pastando e removendo a vegetação dos campos: “As cabras são as principais suspeitas”, disse Wright. “Eu literalmente vi uma cabra comer um tijolo — elas não são nada exigentes com a comida e comem bastante para o seu tamanho. Não seriam necessárias muitas cabras em um ambiente estressante para causar um impacto tão grande.”
À medida que as cabras, e outros animais, pastavam, expunham o solo que antes estava escondido sob a vegetação. Consequentemente, a falta de vegetação aumentava a capacidade da terra de refletir a luz, fazendo com que ela retornasse à atmosfera e a aquecesse. Isso resultou em menos chuva, pois, segundo Wright, “nos trópicos, uma atmosfera aquecida tende a ter menos nuvens do que uma atmosfera mais fria”.
Além disso, a seca atrofiou o crescimento da vegetação, o que piorou o crescimento, resultando em um ciclo de retroalimentação que acabou transformando a região novamente em um deserto.
No entanto, alguns pesquisadores se opõem à visão de Wright. Jon Foley, climatologista e diretor executivo da Academia de Ciências da Califórnia, argumentou que a perda de vegetação na região, provocada pelas mudanças orbitais da Terra, seria uma explicação mais provável. As plantas absorvem umidade do solo e a liberam na forma de vapor d’água na atmosfera através de suas folhas. Portanto, quando havia menos vegetação, isso significava que havia menos vapor d’água no ar e, consequentemente, menos chuva.
Esse evento geológico marcou a elevação da Península Arábica — situada sobre a Placa Arábica, uma placa tectônica independente que se separou da Placa Africana e deu origem ao Mar Vermelho —, e foi também responsável pela formação de uma espécie de “ponte terrestre” no planalto etíope, que conectava fisicamente os continentes africano e asiático.
Foley descreveu a hipótese de Wright como uma “ideia instigante”, mas observou que as evidências disponíveis eram insuficientes para prová-la.
Além disso citado, há cerca de 20 milhões de anos, um levantamento tectônico alterou profundamente a circulação atmosférica da região, bloqueando parte da umidade que vinha do Oceano Índico em direção ao norte da África. O erguimento tectônico e a elevação de formações geológicas motivada por ele formaram, então, cadeias montanhosas que agiam como barreiras geológicas a interferir na circulação atmosférica da região. O fenômeno dificultava a entrada de ventos úmidos vindos do Oceano Índico em direção ao norte da África, contribuindo para a progressiva aridificação do Saara.
Esse problema de evidências insubstanciais é a razão pela qual Wright acredita que arqueólogos, como ele, e ecologistas devem se unir para “sair e obter dados”, para que possam modelar o efeito da vegetação nos sistemas climáticos com mais precisão.
Seja como for, espera-se que as próximas gerações testemunhem um Saara verde em alguns milhares de anos.
FONTE: Medium, Africarebirth e Revistaforum
IMAGEM: Deserto do Saara – pintura de Jan Ciaglinski. Créditos: National Museum Kraków
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